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Tigo Ayres na Bienal de Veneza 2024: Stranieri Ovunque – Estrangeiros em Todo Lugar

Entre abril e novembro de 2024, a cidade de Veneza tornou-se novamente o palco central para os debates mais urgentes da arte contemporânea com a 60ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Sob curadoria de Adriano Pedrosa, diretor do MASP (Museu de Arte de São Paulo), a mostra central trouxe o tema “Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere”, convidando artistas e públicos a refletirem sobre migração, diáspora, deslocamento e descolonização.


Para Tigo Ayres, artista brasileiro que vive em Londres há quase vinte anos, a Bienal foi mais do que uma experiência estética: foi um momento de profundo reconhecimento, onde sua história pessoal como imigrante e sua prática artística dialogaram diretamente com a proposta curatorial.


Estrangeiros em Todo Lugar


O título da exposição — Foreigners Everywhere — funciona como slogan, grito e apelo. Em um contexto global marcado pelo aumento alarmante de pessoas deslocadas à força, especialmente na Europa e no Mediterrâneo, a Bienal lançou luz sobre a migração como uma das grandes questões do nosso tempo.



A mostra reuniu artistas que são estrangeiros, imigrantes, exilados, refugiados, expatriados ou pertencentes a diásporas, com ênfase especial naqueles que transitam entre o Sul Global e o Norte Global. Esse movimento — cada vez mais restringido por políticas de fronteira — tornou-se uma marca da arte contemporânea e um espaço de resistência simbólica e cultural.


Para Ayres, essa narrativa ressoou profundamente. Vivendo entre o Brasil e o Reino Unido, ele sente na própria pele o que significa ser estrangeiro — não apenas como identidade legal, mas como experiência subjetiva que atravessa seu trabalho com memória, identidade e espiritualidade.


Um Diálogo com o Sul Global


A Bienal de 2024 destacou obras que exploram descolonização, diáspora e deslocamento, trazendo para o centro do debate a relação entre o Norte e o Sul Global. Para Ayres, esse aspecto foi crucial: como artista latino-americano, reconheceu que suas próprias investigações — enraizadas na ancestralidade afro-latina, nas tradições populares brasileiras e na psicanálise — ecoam dentro de um movimento maior de artistas que reivindicam narrativas historicamente marginalizadas.


Em Veneza, ele se viu não apenas como espectador, mas como parte de uma comunidade de artistas que desafiam fronteiras físicas e simbólicas, construindo novas cartografias da arte a partir de histórias plurais.


Reflexões Pessoais


Percorrer os pavilhões e a mostra central significou, para Tigo Ayres, um reencontro com sua própria condição de “estrangeiro em todo lugar”. Depois de quase duas décadas em Londres, ele entende que ser imigrante é também carregar múltiplas pertenças, viver em trânsito e transformar essa experiência em obra.


Essa consciência se reflete em sua prática, que combina pintura, performance e psicologia, sempre atravessada pelas noções de identidade fragmentada, memória coletiva e espiritualidade em movimento.


A Importância da Bienal


A Bienal de Veneza continua sendo a plataforma artística mais importante do mundo — um espaço onde os temas urgentes do presente são confrontados e ressignificados pela linguagem da arte. Para Tigo Ayres, estar ali foi a confirmação de que sua trajetória — marcada pelo exílio voluntário e pela condição de estrangeiro — faz parte de uma narrativa maior que conecta artistas de todos os continentes.


Mais do que simplesmente visitar uma exposição, sua presença foi um ato de testemunho e de participação em uma conversa global sobre pertencimento, fronteiras e o poder da arte como ferramenta de resistência e transformação.


Conclusão


A visita de Tigo Ayres à Bienal de Veneza 2024 foi uma experiência de reconhecimento e pertencimento. No coração da mais influente mostra de arte contemporânea do mundo, ele encontrou reflexos de sua própria vida como imigrante e artista estrangeiro, reafirmando que todos somos estrangeiros em algum lugar — e que é justamente nessa condição de trânsito e multiplicidade que a arte encontra sua força mais radical.

 
 
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